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Devaneios de um emigrante


Pai eu creio, mais aumentaí a minha fé!

       Nesses quase três meses, já trabalhei em quatro locais diferentes, consegui entrar com o pedido de análise de agendamento de visto, consegui meu segundo contrato de trabalho, estou batalhando para conseguir logo o meu transporte por ter poucos horários de transporte público aqui no Algarve e tudo ser muito longe, para enfim poder estudar. 

     Conheci alguém que fez meus olhos brilharem e meu coração bater mais forte. Nossa... foram tantas experiências. Acredito que a maior é trabalhar cuidando de pessoas, pois sempre fui muito objetiva e lógica, por sempre trabalhar de forma muito técnica, hoje me pego fazendo cafuné e trocando fraldas.  Como experiência de vida tudo tem sido muito importante e tem mexido comigo, me transformando num ser humano totalmente diferente.

     No meu lado profissional, temo em passar o tempo e ter dificuldade em me recolocar, e acredito que todos esses anos de experiência são válidos e não posso jogar fora.   Não sei se devo tentar num grande centro, onde se que vou conseguir oportunidade dentro do meu perfil profissional ou fico só estudando e trabalhando cuidado de pessoas, até conseguir o visto de trabalho, enfim são tantas interrogações.  Tenho pedido sabedoria a Deus em todos os momentos, pois não tem sido fácil essa fase de dúvidas.

    Entretanto, vou estabelecer um prazo, para tais decisões e as coisas acontecerem. Tem dias que quero só voltar e rever as pessoas que eu amo. São inúmeros sentimentos, com muitos objetivos, vendo também que prioridade devo dar, pois quero estudar e não, morrer de trabalhar para apenas sobreviver.   Tem algo muito além para conquistar e conhecer!

     Meu coração dói, quando ouço alguém dizer que faço muita falta! Ah como tantas pessoas, eu também sinto falta. E muitas vezes queria apenas um abraço, ouvir, vai passar, conte comigo, estou aqui com você.  Nesse caso, sou eu e Deus e mais ninguém!

     Acho que por estar tão vulnerável e carente, chego num patamar que não basta o coração bater mais forte, mas sim, querer ser companheiro, isso aqui é difícil acontecer, pela prioridade para um português é o: Trabalho, saúde, família e por último, se não tiver outra prioridade, alguém que esteja me relacionando.   Até mesmo a forma apática de dizer: oie estou por aqui ou te cumprimentar... e uma msg: beijinhos. Risos! O comportamento, é muito diferente do  brasileiro e me perco literalmente nisso, sem saber se resta interesse ou só um apego de um simples contatinho.


     Sempre morei sozinha e lidei muito bem em estar sozinha, ser independente, enfim, aqui já é totalmente complicado e difícil lidar com isso, talvez seja por não estar no meu meio, e me sentir solitária, apesar de ter conhecido algumas pessoas.


     Tenho deixado na mão de Deus e pedindo sabedoria para decidir as situações pontuais e trabalhar meus sentimentos.







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