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Do imaginário para o real


 


Com tantos pensamentos enraizados, não sei muito bem como me portar. São ideias vagas que vêm e vão, tentando conectar meus sentimentos, meu eu e minha parte lógica.
Há alguns meses venho lutando comigo mesma para reacender e me recriar a partir das minhas experiências, afetos, sentimentos, sonhos e desejos. Recuperei minha autoestima; hoje me olho no espelho e reconheço, com firmeza, quem sou, o que mereço e o que quero viver.

Mas a vida é cheia de surpresas. Quando achamos que certos sentimentos e situações estão resolvidos dentro de nós — e por muitas vezes apenas nos bloqueiam de viver e sentir —, vem a vida e nos surpreende.
O fato é que mudei minha vida em prol de um objetivo e de um sentimento no qual sempre acreditei, mas, acima de tudo, sempre respeitei o livre-arbítrio do outro.

Hoje me sinto pelo avesso, porque duvidei e me perguntei por anos sobre uma ligação, um sentimento… e, mesmo brigando com minha parte racional e com minha ética, eu me permiti viver.
Agora me sinto tonta, sem saber lidar com um sentimento que eu acreditava nem ser real.

E então me pergunto: como vou lidar com tudo isso?
Não quero me sabotar e, de novo, deixar de considerar sentimentos importantes. Mas, de fato, não sei como lidar com esse grito que ecoa dentro de mim, dizendo que sempre foi ele — o amor da minha vida. Sem duvidar do que sinto.
De um jeito singelo, singular e esplêndido, senti algo avassalador, algo que mexe em tudo dentro de mim.

A mulher racional em mim tenta desacelerar esses sentimentos antes tão vagos, que agora parecem um tsunami. São dúvidas, peso moral, e a constatação de que, do lado dele não haja reciprocidade, sendo mais fácil permanecer na vida que tens, como se não houvesse o que fazer.
Afinal, cruzei o oceano para ser a outra?
O que realmente existe do outro lado? O que ele sente?

Essas perguntas ecoam, e a razão me chama: “Seja firme e lógica. Mesmo com esse sentimento, não há nada que possas fazer.”
Eu me coloquei à prova, passei por ela, e consegui perceber, profundamente, meus sentimentos. Mas onde eles os cabem agora?
A conexão é real ou estou apenas fantasiando algo com um homem que já fez sua escolha e tem sua família? Até onde eu quero ir com isso?

Apesar de termos uma amizade e conversas profundas, acredito que não é o momento de falar sobre isso. Ele também precisa de tempo para digerir e lidar com os próprios sentimentos.
Mas o grito ecoa dentro de mim: “O que você foi fazer? E agora, como vai lidar com isso?”

Fazer amor com alguém que te conecta num sentimento tão profundo — e viver uma experiência que me fez repensar tudo — trouxe a constatação de que algo mudou em mim. As dúvidas também são conflitos, que devem ser percebidos e resolvidos.
Sinto que, se eu tivesse sido mais objetiva nas minhas ações, talvez a realidade hoje fosse totalmente diferente… talvez estivéssemos compartilhando uma vida juntos.

E agora, com as certezas que tenho, sigo a vida?
É como compreender o simbolismo de um divisor de águas dentro de mim e ter que lidar com algo totalmente desconhecido.

Eu o amo, e hoje não tenho dúvidas dessa ligação e desses sentimentos. É como se, por anos, eu tivesse deixado de acreditar que encontraria alguém capaz de despertar em mim um sentimento tão genuíno de querer viver, partilhar e envelhecer ao lado.

É como se houvesse um concerto acontecendo dentro de mim: várias notas desafinadas e eu, desesperada, tentando afinar essa orquestra e abrandar o que sinto aqui dentro do peito.

Contudo, não sei o que vou fazer com todos esses sentimentos gritando aqui dentro.

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