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Lidando com a vida



Nestes seis meses fora do país, é  como se tivesse nascido de novo. Tive que reaprender tantas coisas, foram tantas experiências, entre tantos lugares que passei, ambientes, pessoas e culturas que aprendi. De fato, nos últimos anos passei por altos e baixos o que resultou em decisões radicais, me aconcheguei em amizades verdadeiras, pude experimentar um convívio maior com minha família. Isso tudo levou a me perguntar e querer tantas coisas. Despertou a vontade de realizar coisas, que por anos nunca tive coragem de fazer, daí vieram algumas decisões extremas.

Lidar com o peso dessas decisões, solidão, saudade e as adversidades de estar em um país diferente, às vezes é muito delicado e pesado. Passei nas últimas semanas por uma apatia muito grande. Fiquei me perguntando tantas coisas!

 Enfim, consegui forças para reagir, voltar a me exercitar e fazer o que eu gosto, estudar, cuidar de mim e lidar de frente com tudo que ando vivendo, pois a decisão foi só minha e eu sou responsável por estar e me sentir bem, senão, por que estaria aqui lidando com essa tal solidão e tendo que aprender a lidar com a distância de todos que amo, amigos, família e até do meu conforto. Sair do comodismo dói. E isso leva a nos conhecer e saber a real força interior que temos.

Alguns amigos, mesmo de longe, participam desses momentos de tantas adversidades, crises e vontade de desistir e regressar. Eu precisei sair da minha realidade para entender o quanto Deus sempre me abençoou e me fez privilegiada em relação ao meu meio, trabalho, amigos, família e as oportunidade que tive de estudar, algumas delas aproveitadas outras não. Que num país que tem tanta gente sem formação, eu não estava entre a maioria e entender o quanto fui agraciada e não reconhecia tais privilégios. Sempre tive tudo e de alguma forma não fui grata.

Por muitas vezes eu ouvi isso de amigos, mais ignorava tal informação ou que seja conselho, enfim a vida ensina. E estou aqui e tenho que olhar pra frente e definir a minha situação. A razão diz para eu voltar e tentar retomar a minha vida no Brasil, mas meu coração diz pra eu ficar e persistir por ainda não ter tentado todas as possibilidades.

Nesse caminho vou encontrando pessoas boas que querem me colocar para cima, que me receberam de braços abertos e que estão me dando apoio com muito carinho apesar de não me conhecerem de forma profunda e com elas as vezes eu consigo ser eu de verdade. Já estava com saudade de ser eu mesma, mesmo que seja com algumas ressalvas.

A saudade é grande de dar um abraço e ficar coladinha com meus sobrinhos, dar um beijo e dizer o quanto eu os amo, dos meus amigos de estar no meio deles e ser eu sem ressalvas, contar estórias, troca de experiências e até mesmo ter momentos íntimos da simples companhia, carinho e silêncio por sentir a sintonia e confiança.

Aprendi que onde eu estiver, sempre irá faltar algo ou sempre iremos buscar algo para nos completar, por sempre querermos mais e ter uma busca incessante por nunca estarmos satisfeitos com o que temos, o que somos e o que queremos de fato viver. Independente desses momentos, é necessário ser grato pelo hoje, por tudo que Deus nos concede. 

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